Rio de Janeiro, ANO VI - No 23, junho e julho/98  



"O programa tem o oferecimento de ações clínicas na área da odontologia, mas também ações de prevenção e promoção, como escovação supervisio - nada para crianças e adultos”...



"Quando o projeto foi implantado esperava-se que 80% dos casos fossem resolvidos, hoje, concretamente, em média de 90 a 95% dos problemas são resolvidos pela equipe do Saúde em Casa.”



Pelo SINAM os médicos pagarão aos cirurgiãos -dentistas pela Tabela Nacional de Convênios e Credencia - mentos e os cirurgiãos-dentistas pagarão aos médicos pelo valor mínimo da Lista de Procedimentos Médicos da Associação Médica Brasileira.



Quem quiser se integrar so SINAM deve ligar para a AMB , no caso dos médicos, e para ABO-Nacional, no caso dos cirrugiãos-dentistas, para fazer a ficha de inscrição, que é grátis.




    Saúde em Casa integra saúde bucal
    CFO, AMB e ABO assinam protocolo para criar o SINAM
    AORP entrega Prêmio Tiradentes


    Saúde em Casa integra saúde bucal

O Ministério da Saúde tem estimulado, com algum atraso em relação à atuação mundial na área, a criação de programas de saúde com equipes que fazem visitas domiciliar, também atuando na saúde bucal. Para o Subsecretário de Projetos Especiais da Secretaria de Saúde e Coordenador Geral da Saúde em Casa no Distrito Federal, médico Antônio Alves de Souza, em entrevista exclusiva ao jornal do CFO, promover a assistência à saúde é muito importante, incluindo aí a saúde bucal, “uma vez que a cárie é uma doença contaminante e pode ser transmitida para outra pessoa, sendo o seu controle fundamental, uma vez que a bactéria no sangue pode até provocar sepcemia e a pessoa vir a morrer pela falência múltipla dos órgãos”.

A origem do programa Saúde em Casa não é recente. Segundo o coordenador, remonta a experiências mundiais como as do Canadá, Inglaterra e Cuba, cujo programa integra o médico de família, a visita domiciliar e as equipes específicas para as comunidades.
Antônio Souza acredita que haja experiências mais antigas do que a do Distrito Federal junto ao Ministério da Saúde, como o caso do Rio de Janeiro, em Niterói, como o projeto Médico de Família e outros como os de Quixadá no Ceará, Camaragipe na Bahia e os de Londrina e Curitiba, no Paraná. Cada qual com características diferentes, adequadas ao local.
A idéia é simples e trabalha com a lógica preconizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), desenvolvido pela própria entidade, que é garantir acesso e integralidade, afirma Antônio Souza. Diz que o acesso da comunidade é universal, sem nenhuma barreira, nada que impeça o usuário de acessar as ações ou serviços de saúde. Integralidade significa atender as pessoas no meio onde elas vivem, como seres humanos completos, dentro do seu contexto, de sua família e de sua comunidade, não fragmentados em especialidades e em órgãos.
"Nosso programa Saúde em Casa nada mais é do que uma estratégia de implantação do SUS, que trabalha com integralidade, eqüidade, princípio da universalidade, participação popular e - o mais importante - trabalha com equipes multiprofissionais integradas por profissionais de saúde e outras áreas. Medicina, enfermagem e, no caso do Distrito Federal, também da área de saúde bucal, com a odontologia, o cirurgião-dentista e seu auxiliar, o técnico de higiene dental, explica o entusiasmado coordenador do projeto Antônio de Souza.
Informa-nos ainda que o programa tem o oferecimento de ações clínicas na área da odontologia, mas também ações de prevenção e promoção, como escovação supervisionada para criança e para o adulto, oferecimento de pasta dental e escova para a família que não possue meios para comprá-los. "Trabalhamos fazendo o mínimo de mutilação possível. Restaurando as lesões cariosas, removendo tártaros e com suporte na área de prótese, quando as pessoas precisam de prótese total ou parcial. Um laboratório de prótese faz este tipo de oferta de serviço, por conta do SUS”.
O Subsecretário Antônio Souza, afirma ainda que, dentro da área de saúde bucal, o Saúde em Casa oferece à comunidade tratamentos na área de endondontia e periondontia, geralmente não realizados nos sistemas públicos de saúde, como o tratamento de canal e qualquer patologia gengival.
Segundo o médico Antônio Alves de Souza, para cada conjunto de equipes existe um serviço de referência onde entram outros profissionais pertencentes à rede tradicional, mas dentro da lógica da mudança do modelo, como a assistente sociais, psicólogos, nutricionistas, médicos especialistas na área de pediatria, clínica, gastro ou outras. No DF, diz Antônio Souza, existe um programa diferente chamado AMEI - Atendimento Multiprofissional Especializado e Itinerante. Isto significa que, se a equipe do Saúde em Casa identifica na sua comunidade pessoas com problemas ou de outras áreas que não podem ser atendidos pela equipe, os pacientes são agendados e o Saúde em Casa vai buscar os especialistas nos hospitais secundários ou terciários do Distrito Federal para atendê-los em sua localidade, junto com o médico do Saúde em Casa.




O Coordenador Geral do Sáude em Casa, médico Antônio Alves e a cirurgiã-dentista Simone, no cadastramento de saúde bucal das famílias, na cidade de santa maria, DF


O Programa AMEI, segundo o Subsecretário, ao mesmo tempo que resolve o problema do paciente, faz um treinamento em serviço daqueles profissionais que, por exemplo, não são urologistas, mas que num outro momento poderão estar atendendo mais adequadamente as pessoas e, muitas vezes, não necessitando encaminhar para o especialista. O que pode acontecer com qualquer área de ambulatório/especialidade, como urologia, cardiologia, endocrino etc.
Na retaguarda do Saúde em Casa, está sendo introduzido a oftalmologia, com os kits móveis que estarão percorrendo as cidades em função de uma triagem que é feita pelo Agente Comunitário de Saúde. Ele faz um teste de Teste de Acuidade Visual (TAV) e seleciona as pessoas com problemas visuais, para chamar o oftalmologista. Diz o Subsecretário que, no Distrito Federal, a Fundação Educacional tem um programa de atendimento visual do escolar, que também possui uma fábrica de óculos. Numa parceria entre saúde e educação serão oferecidos, ainda este ano, óculos para as pessoas sem recursos para comprá-los.
Segundo Antônio de Souza, quando o projeto foi implantado esperava-se que 80% dos casos fossem resolvidos. Hoje, concretamente, em média de 90 a 95% dos problemas são resolvidos pela equipe do Saúde em Casa. Sobra um percentual muito pequeno para ser resolvido nos hospitais por equipes especializadas.
"O Distrito Federal tem l milhão e 800 mil habitantes e temos o Saúde em Casa para 1 milhão e 300 mil habitantes, o que corresponde a quase 70% da população do DF, considerando que ele está dividido em 19 cidades chamadas regiões administrativas, que não têm autonomia porque a Constituição não permite.
Dessas 19 cidades o Saúde em Casa atinge 14. Segundo o Sub-secretário, trata-se do maior percentual de cobertura de um programa dessa dimensão no país”, afirmando que tem cidade que, mesmo com hospital, chega a ter 71 equipes do Saúde em Casa atuando junto às comunidades.
"Em Ceilândia temos 78 equipes, a maior delas. Na área rural, rodamos 90 Km para atingir o ponto mais distante do DF, todos cobertos pelo Saúde em Casa. Vários veículos levam suas equipes, que também dispõem de unidades móveis com consultórios para fazer qualquer espécie de exames, tipo coleta de citologia para prevenção do câncer de colo do útero. Estamos montando agora na área de odontologia as unidades móveis de saúde bucal, para também prestar atendimento na área rural”, relata o Subsecretário à reportagem do CFO.







    CFO, AMB e ABO assinam protocolo para criar o SINAM

Convênio entre médicos e cirurgiãos

Assinando a carta de intenção, a partir da esquerda, os CDs Miguel Nobre e Eros Petrelli do CFO; Antônio Nassif, médico presidente da AMB, seguidos dos CDs, presidente da ABO-Nacional Henrique Teitelbaum e do presidente da ABENO, Alfredo Neto.

Usufruir serviços médicos e odontológicos sem precisar de plano de saúde e pagar preço mínimo é a proposta do Sistema Nacional de Atendimento Médico (SINAM), cujo protocolo de intenções foi assinado, em julho, entre a Associação Médica Brasileira (AMB), Conselho Federal de Odontologia (CFO) e Associação Brasileira de Odontologia (ABO).
O SINAM é mais uma possibilidade de prestação de serviços médicos e odontológicos, que se coloca entre o Sistema Único de Saúde (SUS) e Sistema Alternativo de Saúde, que abrange quase mil empresas entre cooperativas médicas, empresas de medicina de grupo, seguradoras de saúde e empresas de autogestão.
O SINAM veio para atender, principalmente, a parte da população que não tem condição de pagar planos médicos e também nem sempre pode contar com o SUS, devido à demora de atendimento e outros problemas.
Além de prestar serviços à população em geral, o SINAM abrange também um convênio entre profissionais médicos e cirurgiões-dentistas. Por meio do sistema, os médicos poderão usufruir de atendimentos odontológicos, pagando ao profissional o preço estipulado pela Tabela Nacional de Convênios e Credenciamentos. O cirurgião-dentista, pelo convênio, poderá se utilizar dos serviços médicos, pagando o valor mínimo, de acordo com a Lista de Procedimentos Médicos da Associação Médica Brasileira.
Futuramente, o convênio firmado entre os médicos e os cirurgiões-dentistas também será estendido a outras profissões liberais da área de saúde.
Segundo o Presidente da AMB, Antônio Nassif, a vantagem de não haver intermediários entre paciente e o profissional é que o usuário pode pagar uma taxa mais baixa pelos serviços, já que o pagamento será feito diretamente ao médico ou cirurgião-dentista.
Segundo o Secretário-Geral do CFO, Eros Petrelli, via SINAM uma consulta odontológica, que custa na clínica entre R$ 80, e R$ 100, fica em R$ 34. Além do preço, Eros destaca que, em relação aos planos de saúde, o SINAM traz como vantagem, também, a inclusão de serviços para fins estéticos e ortodontia, que não são cobertos por aqueles convênios.
O SINAM foi elaborado para eliminar o intermediário - que no caso da área de saúde são as administradoras privadas - da relação entre profissional e o paciente. Com ele, o paciente paga apenas quando utilizar o serviço, estando isento de qualquer mensalidade.
"Afirma ainda o Secretário Geral do CFO que a expectativa é aumentar o número de clientes, fator que possibilitará a redução do preço dos procedimentos, além de abrir um novo mercado de trabalho, principalmente para os que estão agora nele ingressando”.
Para Henrique Teitelbaum, Presidente da ABO, o SINAM é uma iniciativa absolutamente louvável da AMB principalmente porque, nesta fase, está integrando médicos e cirurgiões-dentistas na tarefa de propiciar atendimento a uma grande parcela da população brasileira, em ambas as áreas, por preços acessíveis e, sem dúvida, haverá um aumento considerável da procura no âmbito dos consultórios.
De acordo com Teitelbaum, pretende-se com o SINAM conseguir duas importantes conquistas: melhores condições de trabalho e, conseqüentemente, possibilidade de oferecer um atendimento mais adequado ao paciente.
Por enquanto, o SINAM não oferece cobertura hospitalar, mas já está em negociações com entidades do setor.
Para ter acesso ao SINAM, basta o interessado ligar para a sua entidade (o médico, para a AMB; e o crurgião-dentista para ABO-Nacional, cujo telefone é (051) 332-7492), e obter a ficha de inscrição, que é voluntária, isto é, não obrigatória.
Quem se inscrever receberá uma carteira do SINAM e uma lista dos médicos e cirurgiões-dentistas credenciados.






    AORP entrega Prêmio Tiradentes

A AORP - Associação Odontológica de Ribeirão Preto - promoveu no dia 22 de maio a entrega do Prêmio Tiradentes ao prof. dr. Geraldo Maia Campos, que se aposentou como professor titular do Departamento de Estomatologia da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - USP, após brilhante carreira universitária, iniciada em 1958 como professor voluntário da mesma faculdade.
"Eu me sinto orgulhoso e agradecido, principalmente pelo nome do Prêmio. Tiradentes foi, provavelmente, o único dentista-herói da história do Brasil. Em compensação, foi o maior herói da Pátria", disse Geraldo Maia Campos, ao agradecer a homenagem, que o deixou constrangido, como ele mesmo afirmou.



O homenageado Geraldo Maia Campos e Miguel Nobre, Tesoureiro do CFO

O Prêmio Tiradentes-AORP, regulamentado pelo Conselho Federal de Odontologia, destina-se a um profissional da área que tenha se destacado por atividades científicas, classistas, culturais ou de qualquer natureza que dê projeção à classe odontológica. Na mesma sessão solene, a AORP entregou certificados de especialização a 35 cirurgiões-dentistas que concluíram cursos ministrados pela EAP (Escola de Aperfeiçoamento Profissional) da Associação. O prof. dr. Miguel Nobre, Conselheiro Efetivo e Tesoureiro do CFO, enalteceu os cursos ministrados pela AORP: "Além das prerrogativas legais, os cursos da AORP valorizam acima de tudo a transmissão do saber", afirmou.
Para o presidente da AORP, Dr. Ernani Bezerra da Silva, a entrega do Prêmio Tiradentes e dos certificados de conclusão dos cursos de especialização representa a inequívoca valorização da classe odontológica.







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