Gestão do SUS avaliada
pelos trabalhadores
Na 3ª Conferência Nacional de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, realizada em Brasília, 1,5 mil participantes discutem melhorias na gestão do SUS. Relatório final poderá ser consultado pela Internet
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Presidente do CRO-BA, Paulo Ribeiro, e o secretário-geral do CFO, Marcos Santana, durante a conferência |
Cerca de 1,5
mil participantes se reuniram em Brasília, entre os dias 27 e 30 de março, na 3ª Conferência
Nacional de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, para discutir temas como práticas
de trabalho, gestão e formação de profissionais. Promoção conjunta do Ministério da Saúde
e do Conselho Nacional de Saúde, o evento teve como foco a melhoria do atendimento prestado à população
pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Estiveram presentes à abertura do evento os ministros
da Saúde, Saraiva Felipe, e da Educação, Fernando Haddad.
As Conferências de Saúde são
instâncias onde representantes dos vários segmentos sociais avaliam e propõem diretrizes
para a formulação da política de saúde nas três esferas de governo. Os problemas relacionados à área
de gestão do trabalho e da educação na saúde são apontados como alguns dos principais
fatores que levam à prestação de serviços sem a devida qualidade.
Os participantes do
encontro foram escolhidos em conferências estaduais e municipais, realizadas no ano
passado nos 26 Estados e no Distrito Federal e em cerca 1,2 mil municípios.
“Decisão de todos”
O secretário-geral do Conselho Federal de Odontologia, Marcos Santana, que participou como delegado,
destacou a legitimidade da Conferência, onde “todas as propostas foram aprovadas por maioria, o que dá um
peso maior, pois representam a decisão de todos”. Entre as decisões aprovadas, está a obrigatoriedade
de concurso para que o trabalhador seja contratado pelo SUS e a criação de uma tabela de referência para
diminuir as diferenças salariais entre as regiões – esta última é vista como uma solução para evitar
que a migração de profissionais para os grandes centros atrás de melhor remuneração.
“Todo descontentamento que às vezes existe por
parte dos usuários, em geral, é porque o trabalhador está mal
remunerado e mal colocado no seu trabalho. O SUS é um avanço muito grande que o Brasil e sem os trabalhadores
conscientes, valorizados, não poderemos avançar mais”, afirmou o secretário de Gestão do Trabalho e
da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Francisco Campos. Segundo ele, o setor de saúde emprega
mais de dois milhões de profissionais no País. Para o secretário, a formação do profissional e as condições
de trabalho estão diretamente relacionados à qualidade do atendimento.
Outro ponto que precisa ser levado
em consideração, ainda segundo o secretário Francisco Campos, é a
necessidade de incentivar trabalhadores a irem para localidades do interior.
THDs e ACDs
Um dos assuntos
que recebeu apoio unânime do plenário
foi o Projeto de Lei 1140/03, que regulamenta as profissões de técnico em higiene dental
e auxiliar de consultório dentário.
Para a cirurgiã-dentista Graciara
Azevedo, membro efetivo do Conselho Nacional de Saúde e representante
do CFO no Fórum Nacional dos Trabalhadores da Saúde (Fentas), “o grande marco desta conferência foi
reafirmar os princípios do SUS”. A representante da Odontologia no CNS cita o que considera a principal
conquista da conferência: “afirmar em lei as Diretrizes nacionais para a instituição de Planos de
Carreiras, Cargos e Salários, no âmbito do SUS, a serem aprovadas pelo CNS e Comissão Intergestores
Tripartite”.
O PCCS deverá servir de pré-requisito para a celebração de convênios e repasses financeiros de saúde
da União
para estados e municípios.
De acordo com o relatório final aprovado em
plenário, passam a ser tratados
como “investimento social” os
gastos públicos com contratação, formação e desenvolvimento de trabalhadores para o setor de saúde.
Outro ponto aprovado, de grande relevância, foi a garantia de recursos específicos para a Educação
Permanente em Sa úde.
Regionalização da graduação
A regionalização
e interiorização de
escolas de graduação, pós-graduação e de programas de extensão – com
estágio curricular interiorizado – foi vista como uma estratégia vital para reduzir e erradicar
as desigualdades sociais e regionais. Também entrou no relatório final da 3ª Conferência a valorização
das diretrizes do SUS e a discussão quanto ao papel social da universidade e de seu necessário
vínculo
com a comunidade.
Em breve, o relatório final da 3ª Conferência Nacional de Gestão do Trabalho e
da Educação na Saúde estará disponível
para consulta no site do Conselho Nacional de Saúde: http://conselho.saude.gov.br.